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Circuito indica: Livro sobre cena musical da Ribeira dos anos 90 será lançado no El Rock

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A efervescência artística vivida em Natal sempre encontrou terreno fértil na Ribeira, seja em contextos como o início do século 20, com a construção da Praça Augusto Severo; com os cafés dos tempos da Segunda Guerra; ou com a boemia marginal que fervia na Ribeira dos anos 60. Mas após passar décadas com um cotidiano apagado para a maioria dos natalenses, o bairro ganhou impulso no final da década de 90 e passou por uma nova transformação, que contribui para que as pessoas “descessem a ladeira” e convivessem mais ativamente com o bairro de novo. E tudo isso movido por um cenário musical marcado pelo rock e pela alternatividade.

É sobre esse período de transformações experimentadas pela Rua Chile no final da década de 90 que trata o livro “Nos Tempos do Blackout”, escrito pelo historiador potiguar Carlos Henrique Cunha. A obra será lançada nesta quarta-feira (4), no El Rock, às 19h30.

De acordo com Carlos, o cerne do livro é discutir como a cena musical que se formou entre 1996 e 2004 conseguiu transformar as imagens que a população natalense tinha da Ribeira. “O bairro deixou de ser visto como espaço marginal e foi transformado num espaço atrativo para a população de Natal. Com essa cena, a classe média de Natal voltou a frequentar a Ribeira”, diz.

Um carinho especial pela Ribeira

O livro é fruto de uma pesquisa de mestrado, mas não só isso: também é resultado de um envolvimento pessoal com o bairro histórico. “Foi na Ribeira que eu passei esse período entre o fim da minha adolescência até a idade adulta. Eu tenho um carinho especial pela Ribeira”, comenta.

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Carlos Henrique conta que mantém o hábito de passear pelo bairro para observar o cotidiano e conversar com as pessoas da região. “Às vezes eu vou, como um bolo da moça com um caldo de cana, converso com o pessoal do bairro. Sou professor de História e sempre tive apego por essa questão de patrimônio”, explica.

A transformação do bairro histórico

Conforme explica o escritor, antes de 1994, a Rua Chile era “algo extremamente marginal”. “Você ia para Rua Chile e tinha o bairro não tinha uma imagem muito legal”, diz. Porém, com a abertura do bar Blackout, em 1997, que funcionava no espaço ocupado hoje pelo Galpão 29, o que evidenciou a cena musical da cidade, a Rua Chile passou a assumir uma identidade “meio cult”, como explica Carlos Henrique.

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“E depois de 2000, quando tem a abertura do Downtown [boate] e o Festival Mada passa a acontecer na Rua Chile, o bairro começa ser um dos cantos mais frequentados e heterogêneos da cidade”, conta Carlos Henrique. “Todo mundo se encontrava na Ribeira, quem gostava do blues, do rock, do reggae, ou até quem não gostava disso, mas ia lá pra se divertir e paquerar. Se encontrava de tudo ali, apesar da imagem que ficou do rock. A Rua chile se transformou na última fronteira rock and roll da cidade”, completa.

A Ribeira nos dias de hoje

chile_2O recorte de tempo retratado no livro se estende até 2004, com o episódio da morte do empresário Paulo Ubarana, ex-proprietário do Blackout. O historiador considera que, embora ainda existam iniciativas importantes para manter a Ribeira viva e pulsante, essas ações ainda pontuadas em grandes eventos e festivais, sem a frequência que tinham nos tempos do Blackout.

“Mas eu sei que tem um público grande que quer voltar para a Ribeira, existe uma população em Natal que está ávida em voltar a frequentaro bairro e não só em grandes eventos”, explica.

Na opinião de Carlos Henrique Cunha, há uma falta de interesse em transformar do poder público tornar o bairro mais atrativo. “Falta o poder público no sentido de criar uma infraestrutura atrativa, de segurança e iluminação, como ocorre no Pelourinho, onde uma área central é fechada, cercada, não circula carro, tem câmera para evitar os assaltos. Acho que uma ideia boa seria fechar um trecho depois das 17h e transformar esse espaço em um polo cultural”, analisa.

Sobre o autor

Nascido em Natal, Carlos Henrique Pessoa Cunha é formou-se em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Sua carreira acadêmica também conta com mestrado em História e Espaço, pela UFRN, além de especialização em História do Brasil pela Universidade Potiguar (UNP). Atualmente, é professor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), no município de Parnamirim. “Nos tempos do Blackout” é o seu segundo livro. Em 2013, lançou “Podres Poderes: política e repressão”, tratando da estruturação do sistema político-repressivo no Brasil e no Rio Grande do Norte nos anos 1960.

Serviço

Lançamento do livro “Nos tempos do Blackout” – Carlos Henrique Cunha

Onde? El Rock Bar (Antigo Hell’s Pub) – Rua Raimundo Chaves, 1892

Quando? Quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Que Horas? A partir das 19h30